terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Escravo

escrevo... escrevo.... escrevo...
no segredo...
no meu segredo
no degredo
teu medo
Porque falas?
Desgraçado... louco... Mouco
tão pouco!
Escolhas?
Não nunca! talvez...
Inergumero... reles.. inútil...
Pensas que existes?
Tolo... sonhador...perdedor
Vai-te, procura-te e não te encontres
Nunca
Pedra

Regresso ao instante...
rebobino o pensamento...
Capto a imensidão da memória...

E com a eternidade
Abraço a escultura
Talhada pelas palavras
As tuas palavras

Brandão
Cadáver

Espasmos de vida
Antes da morte encontrar
Ansiedade vivida
No silêncio da Ilusão

Entranhados no Ventre
Secos
Lentos
Purulentos

Silabas compostas de Tormentos
Cores desbotadas pelo tempo
Das escolhas... coisa nenhuma
Nestas folhas apenas as palavras

Brandão
Rascunhos
Resisto ao olhar fabricado
No escuro reabro a imagem
Na tela rasuro a vida
Encaixo a noite nas palavras
E corro, corro...
transformando desejos em vontades
Brandão

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

As palavras são meras aragens
comparadas
com o vendaval dos meus sentimentos
Sem
Escrevo sem pena
Soluço sem lágrimas
e espero
Danço sem música
Amo sem Paixão
e morro
Devagar
Sem Sonhar
Brandão
Mais Alto

Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo nao conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

Florbela Espanca

A ti Fernando Pessoa


Sorriso triste
Alma cambaleante
Olhar perdido
Pensamento desencontrado

De tuas pedras
Construi o meu caminho
De tua poesia fiz minha escuridão
Do que não disseste
Encontrei as minhas palavras

Da tua história apenas….
As penas
Da tua vida
A ilusão

Brandão

Tudo se confunde na angústia dos meus dias
Corrente que me arrasta num turbilhão de pensamentos
desajuntados no tempo
Tudo acontece mas nada sucede
Preciso… quero…desejo… tenho de parar, rezar, esperar, até talvez desesperar
Mas nunca, nunca, mesmo nunca, parar

Tudo começa e tudo acaba
O rio volta ao mar
E o mar um dia regressa ao rio
Espero a hora de voltar a casa
Ao meu rio
Ao meu destino sem rumo
Ao meu caminho

Lugares comuns do meu sentir
Feridas abertas do meu pensar
São sorrisos desnudados
Pela realidade da rua
Da tua da minha
Saudade

Palavra por tantos escrita
Por novos amores apagada
No renascer de um novo dia
Nova saudade
Outra onda, outro lugar
Recomeçar

Vibração da alma
Tremula imagem do momento
Ser-se de quem nos quer
Não dar mais além

Para além do desejo
Ensejo
Revejo o suor do medo
Olfato embriegado de raiva

Escolhas adiadas pela luxuria
Ponte nunca construida, revista, egoista
Ausência de côr
No brilho da dôr

Brandão
"O ser do homem não pode ser compreendido sem sua loucura, assim como não seria o ser do homem se não trouxesse em si a loucura como limite de sua liberdade."
Jacques Lacan (1901-1981)